Cordel do amor sem fim

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Cordel do Amor sem fim

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Com direção de Anderson Maurício e texto de Cláudia Barral, a primeira montagem da Trupe Sinhá Zózima, Cordel do amor sem fim (2007) narra estórias do universo interiorano. O ir e vir das águas do velho rio São Francisco envolve a vida dos personagens: Teresa, Antônio, Carminha, Madalena e José percorrem as margens do rio, tecendo um trajeto encantatório, como se movimentassem a própria vida no ônibus, onde a peça é encenada.

O espetáculo foi apresentado mais de 450 vezes em vários estados brasileiros e também no continente europeu. Marca e finca o projeto teatral do grupo num campo experimental: a investigação de um teatro do encontro sem fronteiras.

A partir da ousada pesquisa em torno do ônibus como espaço cênico e do estudo sobre a cultura popular, a narrativa sertaneja da dramaturga baiana Cláudia Barral, apresentada num ônibus em movimento, compõe um mosaico paradoxal diante da tessitura urbana e suas mazelas cruciais.

Influenciados pela força poética da imagem das águas do rio São Francisco, que banha cinco estados brasileiros, o grupo iniciou uma leitura atenciosa dos textos filosóficos de Gaston Bachelard (1884-1962). Os livros A água e os sonhos, A poética do espaço, A terra e os devaneios da vontade configuraram verdadeiro manancial para o processo de criação cênica. A encenação no ônibus reinventa um lugar outro, em que elementos rústicos tecem o cenário, conjugado à música caipira e aos diversos cheiros dos temperos interioranos.