O poeta e o cavaleiro

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O poeta e o cavaleiro

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O espetáculo O poeta e o cavaleiro (2009), que recebeu o Prêmio Myriam Muniz da Fundação Nacional das Artes (FUNARTE), inspira-se nos teatros de feira, dos saltimbancos e na obra literária de Pedro Bandeira. A linguagem do palhaço, figura comum nas rodas populares, conduz uma profícua reflexão sobre cidadania, fazer teatral e liberdade. A narrativa acontece na pacata cidade Findomundo, onde tudo era perfeito e harmonioso. A população tinha a melhor educação, a melhor saúde e o melhor transporte público já visto.

O ônibus não era apenas um meio de locomoção, mas de encontro e reflexão, uma espécie de ágora (praça) onde o povo vivia a arte e a democracia. Um dia, um estrondo enorme atingiu o ônibus do Findomundo. A arte e os direitos do povo foram ameaçados.

O espetáculo é uma divertida metáfora sobre poesia, abuso de poder e luta por liberdade. A linguagem é um complemento do recurso dialógico que permite colagens peculiares das cenas que percorrem toda a narrativa pela ótica do palhaço, além de ser um forte elemento crítico. A proximidade com o público, em O poeta e o cavaleiro, configura verdadeiro diálogo, possibilitando um teatro do encontro, em que a relação, o olhar para o rosto do outro, é imprescindível.

Em O poeta e o cavaleiro o ônibus permanece, assumindo uma forma ainda mais lúdica: todo inflável, com cores vibrantes, permitindo aos atores experimentar novas possibilidades cênicas, despertar a curiosidade dos adultos e encantar crianças e jovens. Nesse espetáculo, o ônibus aparece como o transporte público ideal: não poluente, frequentado por todas as classes sociais, gratuito e aberto às manifestações artísticas, como por exemplo, as poesias de Simão, o poeta. É um lugar, por excelência, onde a cidadania é exercida e respeitada.

A peça O poeta e o cavaleiro atinge um grande número de espectadores por apresentação, já que pode ser encenada em área livre, coberta ou descoberta (parques, praças, quadras e ginásios) sem perder a conexão com o principal elemento de pesquisa da Trupe Sinhá Zózima – o ônibus coletivo.